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Trabalhando com o Traço de Sonoridade na Terapia Fonoaudiológica

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72 páginas + baralho com 184 figuras
Creio que um dos temas mais recorrentes em Fonoaudiologia, desde sua constituição como profissão, tem sido o das trocas entre fonemas surdos e sonoros na fala, por um lado e, por outro, quando esta confusão também se manifesta na escrita, na medida em que letras que representam consoantes sonoras são substituídas por outras que correspondem a consoantes surdas e vice-versa.  Apesar da ocorrência deste tipo de problema ser freqüente e de se manifestar tanto ao nível da oralidade quanto da escrita, a compreensão do por que ele ocorre, assim como a elaboração de procedimentos sistematizados e bem fundamentados de intervenção têm recebido menos atenção e pesquisa do que o necessário. A partir de uma noção vaga, e de certa forma mágica, de problema de “discriminação auditiva”, têm-se feito análises superficiais desta questão, as quais resultam no desenvolvimento de “técnicas” empíricas de intervenção e que, em geral, nem sempre têm levado aos objetivos pretendidos de superação.  Dados obtidos a partir de situações experimentais, assim como de observações clínicas, têm mostrado que esta noção de “discriminação auditiva” não tem sido suficiente para dar conta de explicar possíveis causas das trocas surdas/sonoras, assim como não dá subsídios consistentes para uma intervenção terapêutica adequada. A grande maioria das crianças com problemas deste gênero mostra uma condição favorável e resultados positivos em termos de testes convencionais que avaliam a discriminação auditiva. Ao que tudo indica, não é bem ai que residem as limitações que elas, em geral, encontram para falar e/ou escrever adequadamente. Temos, também, que diferenciar as várias situações com as quais nos defrontamos: crianças que apresentam tais trocas somente na fala, porque ainda são pequenas e não foram alfabetizadas; crianças que apresentam as trocas tanto na oralidade quanto na escrita e ainda aquelas que, curiosamente, somente produzem as confusões quando escrevem, sendo que a fala não revela comprometimentos. Em todos estes casos, apesar da diversidade, temos elementos comuns que não se limitam a uma questão de discriminação auditiva, como se para falar e escrever adequadamente bastasse diferenciar sons que os outros pronunciam. Isto é uma habilidade fundamental, mas não é tudo.  A questão vai além e passa pela capacidade de saber produzir os fonemas, ou seja, de criar conexões nervosas, em nível motor, que permitam reproduzir os sons de fala que são percebidos. Isto deve implicar um certo mecanismo de feed-back ou de regulação interna entre o fonema ouvido e o fonema produzido e talvez, em alguma falha deste mecanismo, residam grande parte das dificuldades encontradas naqueles que falam errado, uma vez que não há impedimentos físicos para que realizem o traço de sonoridade. O que observamos, nestes casos, é uma espécie de regra fonológica de conversão ou de redução pela qual certos fonemas sonoros são substituídos, sistematicamente, pelos seus correspondentes surdos. Por sua vez, aqueles que falam certo, mas escrevem errado, dão-nos mostras de que, pelo menos quando se pensa em escrita, não basta saber falar certo: uma coisa é saber falar, outra é dar-se conta do que foi dito, ou seja, exatamente que fonemas são produzidos quando se fala. Temos aqui a oposição entre o saber fazer e o compreender, ou seja, tornar-se consciente do que e do como foi feito. É nesta situação que entra o conceito de consciência fonológica, o qual implica um processo de análise da estrutura sonora das palavras, mais especificamente, uma capacidade de o sujeito dar-se conta de que sons ele próprio produz quando fala ou quando imagina, mentalmente, os fonemas que uma palavra tem. Esta é uma habilidade exigida pela escrita e não necessária para a fala, na qual observam-se mecanismos organizados em níveis predominantemente automáticos. O que consideramos como consciência fonológica engloba, na realidade, uma capacidade de auto-discriminação, isto é, de identificar, em si mesmo, e com precisão, os elementos sonoros que compõem as palavras faladas ou evocadas na forma de imagens mentais sonoras. Enfatizando o que foi apontado, é esta habilidade de tomada de consciência que é requerida pela escrita, em oposição aos automatismos envolvidos na produção da fala. Vemos, desta forma, que o trabalho com o traço de sonoridade, em termos de oralidade e escrita, implica não somente habilidades receptivas, mas também de produção de fala e de tomada de consciência da composição sonora das palavras faladas, assim como a associação entre fonemas e grafemas. A leitura da proposta aqui apresentada por Stella Bacha mostra uma preocupação e uma abordagem que abrange estes pontos, que são fundamentais para a compreensão e intervenção nas alterações de linguagem que envolvem o traço de sonoridade. Conheço Stella há algum tempo e tenho tido a oportunidade de acompanhar sua trajetória de formação e trabalho que têm conquistado cada vez mais afirmação e respeito. Esta profissional tem como diferencial não somente uma firme formação teórica mas, acima de tudo, uma visão e experiência clínica na qual a teoria pode ganhar umanova dimensão e transformar-se em propostas de intervenção prática, com bases sólidas e com perspectivas de atuação eficiente. Aprecio, e muito, propostas que não se resumem a uma lista de exercícios que conduzem o terapeuta à falsa ilusão de que está fazendo algo. Pobre ilusão, na qual o profissional e seu paciente não sabem o que fazem, por que fazem e onde devem chegar, como se o fazer pelo fazer levasse a algum lugar. A abordagem aqui presente está longe desta perspectiva, pondo em evidência uma proposta que resulta de uma postura reflexiva a partir da experiência própria da autora e da análise cuidadosa dos principais trabalhos já publicados a respeito do tema surdas/sonoras. 
Temos aqui uma experiência sistematizada que em muito poderá ajudar os fonoaudiólogos em seu trabalho clínico com as questões das trocas surdas/sonoras. Espero também que este texto possa contribuir para uma nova visão a respeito da linguagem escrita, e que mostre ao fonoaudiólogo o quanto sua atuação, em razão de sua formação em termos de aquisição de linguagem, pode ser eficaz na intervenção não somente destes erros (equivocadamente denominadosauditivos”), mas também nas demais alterações ortográficas (equivocadamente denominadasvisuais” ou “pedagógicas”) cuja superação envolve, seguramente, o desenvolvimento de habilidades linguísticas e metalinguísticas que compõem o repertório do fazer fonoaudiológico. 


Autor: Stella Maris Cortez Bacha
Editora: Pulso
Acabamento: Brochura
Paginas: 72
Edição: 1
Ano: 2004
ISBN: 2147483647

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